
A situação financeira do Instituto Municipal de Aposentadorias e Pensões de Vargem Grande (IMAP) continua gerando preocupação e revolta entre moradores do município. Após a confirmação de uma dívida superior a R$ 27 milhões, cujo parcelamento foi recentemente aprovado pela Câmara Municipal, novos dados revelam gastos expressivos com diárias concedidas a integrantes da atual gestão do órgão.
O débito milionário do instituto, que compromete diretamente a saúde financeira do sistema previdenciário municipal, tem origem em sucessivas administrações e, segundo informações já divulgadas, praticamente dobrou ao longo dos oito anos das gestões do ex-prefeito Carlinhos Barros e de seu sucessor, Preto, chegando a quase R$ 15 milhões.
Entretanto, a crise do IMAP não se resume apenas ao rombo previdenciário. Levantamento obtido pelo blog aponta que apenas três servidores do instituto receberam, juntos, mais de R$ 100 mil em diárias nos anos de 2025 e 2026.
Entre os beneficiados está o presidente do IMAP, Erick Barros, que, sozinho, teria acumulado quase R$ 70 mil em diárias no período.
Um dos casos que mais chama atenção envolve a participação no Congresso Nacional da ABIPEM, realizado em Foz do Iguaçu (PR). Em apenas três dias de viagem, Erick Barros recebeu R$ 8,4 mil em diárias custeadas pelos cofres do instituto.
Segundo informações levantadas pelo blog, o valor recebido chama a atenção por divergir dos parâmetros estabelecidos pelo Decreto Municipal nº 013/2017, que regulamenta as regras para pagamento de diárias. De acordo com o Anexo I da norma, a diária destinada ao cargo ocupado pelo presidente do IMAP em viagens para fora do estado é de R$ 1.200,00. Dessa forma, em uma viagem de três dias, o total previsto seria de R$ 3.600,00.
No entanto, para a participação no Congresso Nacional da ABIPEM, em Foz do Iguaçu (PR), Erick Barros recebeu R$ 8.400,00 em diárias. O montante não apenas supera o valor previsto para viagens nacionais fora do estado, como também ultrapassa o limite estabelecido pelo mesmo decreto para viagens internacionais, cuja diária é fixada em R$ 2.000,00. Considerando três dias de deslocamento internacional, o total previsto seria de R$ 6.000,00, valor inferior ao que foi efetivamente pago para a viagem realizada em território nacional.
Os números levantados reforçam os questionamentos sobre os critérios adotados para a concessão das diárias e sobre a compatibilidade dessas despesas com a realidade financeira enfrentada pelo órgão previdenciário, que atualmente busca alternativas para administrar uma dívida milionária.
Diante desse cenário, cresce a cobrança por mais transparência na aplicação dos recursos públicos e por esclarecimentos da direção do IMAP sobre as despesas realizadas, especialmente em um momento em que o instituto enfrenta um dos maiores desafios financeiros de sua história.



