
O ex-procurador-geral de Justiça do Maranhão, Eduardo Nicolau, saiu publicamente em defesa dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que pediram exoneração coletiva após divergências internas no Ministério Público envolvendo a Operação Tântalo II, que apura um esquema de corrupção no município de Turilândia.
Com quase quatro décadas de atuação no Ministério Público, sobretudo na área criminal, Nicolau afirmou conhecer de perto os desafios enfrentados no combate ao crime organizado e à corrupção no Maranhão. Segundo ele, foi justamente por essa experiência que, ao assumir a chefia do Ministério Público em 2020, decidiu fortalecer o Gaeco com recursos tecnológicos e estrutura humana de ponta, para garantir investigações eficazes e enfrentar a impunidade, que classificou como uma das maiores feridas das instituições públicas.
Ao se posicionar, Nicolau destacou que acompanhou de perto o trabalho desenvolvido pelos promotores do Gaeco, descrevendo a atuação do grupo como responsável, criteriosa e tecnicamente qualificada. Para ele, a decisão dos membros de deixarem o grupo não foi precipitada nem política, mas consequência direta de um ambiente que deixou de oferecer a convergência mínima necessária para a continuidade dos trabalhos.
O ex-procurador-geral ressaltou que o estopim para o pedido de exoneração foi a manifestação favorável, em instância superior, à soltura de investigados apontados como integrantes de uma organização criminosa em Turilândia, mesmo após a Justiça ter decretado e validado as prisões com base nas provas reunidas ao longo da investigação. Na avaliação de Nicolau, esse episódio abalou a confiança institucional indispensável ao funcionamento do Gaeco.
Diante desse cenário, Eduardo Nicolau declarou apoio irrestrito aos promotores, elogiando a coerência, o desprendimento e a decência que, segundo ele, marcaram a decisão coletiva. Em tom firme, afirmou não ter qualquer hesitação em subscrever integralmente a nota divulgada pelos integrantes do Gaeco e concluiu dizendo que a postura adotada pelos promotores honra e dignifica o Ministério Público do Estado do Maranhão.
A manifestação de Nicolau reforça a crise interna instalada no Ministério Público maranhense e amplia a repercussão do embate institucional provocado pelos desdobramentos da Operação Tântalo II.
VEJA A NOTA NA ÍNTEGRA
Na condição de membro do Ministério Público do Estado do Maranhão, com atuação há quarenta anos em Varas Criminais e 1ª Câmara Criminal, sou testemunha dos inúmeros desafios que permeiam o combate à corrupção e à impunidade em nosso estado. Por essas mesmas razões, ao assumir, em 2020, a Procuradoria-Geral de Justiça do nosso Estado, não hesitei em dotar o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do Maranhão) dos mais avançados recursos tecnológicos e de pessoal então disponíveis, a fim de que pudesse cumprir, de forma eficaz, suas finalidades institucionais no enfrentamento ao crime organizado, em todas as suas faces, contribuindo, assim, para a redução da impunidade — verdadeira chaga que compromete a credibilidade das instituições incumbidas de assegurar à sociedade a realização da Justiça.
Sou, portanto, também testemunha do trabalho dedicado, responsável, criterioso e tecnicamente qualificado desenvolvido pelos Promotores de Justiça integrantes daquele Grupo Especializado, os quais, por razões devidamente expostas em nota pública, requereram a exoneração coletiva das designações que os vinculavam ao órgão.
Tal decisão fundamentou-se no entendimento de que restou comprometida a convergência mínima necessária à sua permanência no GAECO, diante de manifestação ministerial, em segundo grau, favorável à soltura de investigados suspeitos de integrar organização criminosa atuante no município de Turilândia/MA, no âmbito da denominada Operação Tântalo II, cujas prisões preventivas haviam sido regularmente decretadas e cumpridas por determinação judicial, reconhecendo, assim, a higidez das provas colhidas ao longo das investigações.
Por essas razões, manifesto-lhes, publicamente, irrestrita solidariedade e incondicional apoio, pela coerência, pelo desprendimento e, sobretudo, pela decência que nortearam sua decisão, não tendo qualquer hesitação em subscrever integralmente os seus termos.
Os senhores honram e dignificam o Ministério Público do Estado do Maranhão.
São Luís, 12 de janeiro de 2026
Eduardo Jorge Hiluy Nicolau
Procurador de Justiça



